quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Syria

Escolhas não são fáceis, principalmente aquelas que podem mudar o destino de um país de uma hora para outra.

As discussões diplomáticas e a avaliação estratégica dos países islâmicos não podem ser desenvolvidas com base em pré-concepções ocidentais, tais como democracia, liberdade, livre iniciativa, direitos trabalhistas, etc. Estes conceitos e estas crenças não pertencem ao universo islâmico, lá você tem a submissão a Allah e seu Profeta Maomé tal como prescrita no Corão, nos Haddithim e na Sunna. Esses conceitos só podem ser aplicados aos povos ocidentais, nunca a quaisquer outros povos, sejam hinduístas, xintoístas, budistas, animistas, se não, as negociações se tornam uma conversa de surdos.

Nos países Islâmicos a lei é o próprio Corão, não existe distinção entre lei religiosa e lei civil, o Corão é a própria lei. Então ela não foi inventada por um Governo, trata-se de uma tradição islâmica, essa discussão pode ser mudada desde que haja uma séria reforma entre os teólogos e a Ummah, até a democracia ganhar corpo e se converter em realidade nos países islâmicos isso levará séculos.

Nenhuma nação no mundo hoje pode simplesmente bancar a imposição da democracia a médio ou até mesmo longo prazo seja em qualquer outro estado, é um preço que implica séculos de uma série de empreendimentos.

Na guerra civil da Syria você tem o conflito político, mas os dois lados chamam o Corão pra se legitimar, os dois lados sempre, ninguém vai dizer: Eu sou contra o Corão eu sou anti-islâmico!

Um ponto importante a ser observado é que a oposição Syria é toda fragmentada, não é coesa, portanto existe o risco com a queda de Assad, de um governo sem traços e objetivos definidos receber o poder, por exemplo, o Nusra Front é um grupo de rebeldes vinculado à Al Qaeda, imagine o risco de um grupo desses chegar ao poder..

Com uma intervenção militar o que virá depois? Um novo Iraque, uma nova Libia? Isso é outro problema, devem o governo dos EUA intervir sempre quando ocorrer catástrofes humanitárias e guerras civis? Vale lembrar que o excepcionalismo americano sempre teve dois lados, um ávido para ajudar e o outro, pronto para virar as costas, exemplo recente o Iraque.

É Claro que os EUA não podem invadir países para impor regimes, como Iraque, Panamá e Granada, mas a luta contra o terror não é um caso de polícia, é uma Guerra sem fronteiras que subverteu toda lógica Jurídica Internacional, o certo e o errado estão misturados, como na Guerra, que a Sirya vive, a pergunta a ser feita é...O que nós queremos? Um happy end? É difícil, porque todas as opções não diplomáticas são horríveis, a saída menos custosa ainda é o diálogo entre regime e oposição junto com os demais protagonistas.

O que não podemos continuar assistindo é de um lado a Rússia alimentando o regime de Assad com armas e mísseis e de outro os EUA ajudando os rebeldes e refugiados com comida e curativos.

A política internacional é um sistema de autoajuda esse deve ser o foco em um sistema anárquico.


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